E de onde vem essa estranheza inicial, tendo em vista que sempre tive tanta afinidade com as palavras? Ao menos eu pensava que tinha, mas, ultimamente, elas parecem tão distantes para mim, e por isso mesmo, tão complexas como antes mencionei. Tenho apresentado uma certa dificuldade em articulá-las, em dotá-las de sentido, em dar-lhes vida própria, e por isso mesmo, as palavras não ditas ou não escritas, muitas vezes, têm dado lugar ao silêncio. Um silêncio que, na verdade, grita dentro de mim a vontade de querer se libertar das amarras nas quais me aprisionei...
A prisão? O desencanto com o mundo ao meu redor, as duras verdades da realidade, que me fazem sentir impotente e incapaz e, pela primeira vez, me fazem querer desistir dos sonhos e me fechar no meu silêncio.
A liberdade? Descobrir que o que move o mundo são os sonhos e que desistir deles é desistir de mim mesma.
A verdade mesmo, escondida por detrás de todo esse discurso, que pode até parecer inútil e non sense, é que, finalmente, sinto que estou me reconciliando com as palavras, que elas estão fluindo (ou eu as estou deixando fluir) em sua naturalidade, como um turbilhão, e com elas, posso novamente me expressar e encontrar a mim mesma nesse mundo confuso. Mundo esse, aliás, que tem tudo absolutamente articulado justamente para nos confundir e nos fazer perder a esperança e a confiança em nossas capacidades, nos convertendo em mais um personagem massificado em meio à multidão anônima, sem rosto, sem identidade definida, sem expressão.
Mas, essa discussão, fica para um outro momento mais oportuno. O que importa agora é gritar, pra quem puder e quiser ouvir, essa reconciliação, e não poderia existir melhor maneira, senão, nas linhas de um texto, este que acabo de escrever agora.
Seja bem vindo ao Devaneios e Desencantos, um espaço construído para expressar sentimentos, pensamentos e reflexões de uma mente inquieta que não quer guardar apenas para si mesma suas percepções...
Nenhum comentário:
Postar um comentário