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segunda-feira, 23 de abril de 2012

E na pós-modernidade, tudo vira mercadoria, até o amor...

Ah, o amor... diria que é o sentimento mais puro, que se traduz nos gestos mais singelos.

Olhares que se cruzam, se encontram, se enamoram a distância. Sorrisos disfarçados, um pouco embaraçados, que dispensam palavras. A aproximação vagarosa, até mesmo cautelosa. O conhecer o outro, pouco a pouco, e se encantar com suas virtudes. O toque suave, o abraço que acolhe e conforta e faz perder a noção de espaço e tempo, tornando eterno aquele segundo único. O coração que dispara, que aperta no peito e às vezes dói pela expectativa de não saber se o outro também compartilha do mesmo sentimento. E depois da espera ansiosa, eis que se revela no mais suave tocar dos lábios, o beijo tão esperado, que vem selar o amor!

Romântico demais? Careta e antiquado? É, até pode ser, mas ao menos para mim é a mais pura expressão do amor. Um amor gratuito, que acontece de repente e pega de surpresa dois corações, sem nem pedir licença.

E hoje, da gratuidade, o amor, no ápice de sua banalização, se converte em mercadoria, como se fosse um produto qualquer, que se compra na hora que quer e, quando se cansa dele, é descartado e trocado por outro. Simples assim. Duas pessoas hoje mal se conhecem, se entregam uma a outra apenas pela atração corporal, por uma única noite, pelo bel prazer dos corpos, e no dia seguinte, o outro já não interessa mais, é descartado, e imediatamente já começa a busca por uma nova experiência... 

Em alguns quadros de programas na TV a banalização também é perpetuada: pessoas em busca do seu "grande amor" se expõem como um produto em uma vitrine para alguns possíveis interessados, se sujeitam a performances ridículas e constrangedoras para tentar conquistar, naquele minuto, uma daquelas pessoas a quem nem conhecem, por quem não nutrem sentimento algum, importa apenas demonstrar suas qualidades, vender a sua imagem da maneira mais positiva possível (leia-se, na maioria dos casos, apelos puramente sexuais) para não deixar o programa de mãos vazias e angariar pelo menos um pretendente e se auto afirmar diante da plateia.

E nisso tudo, acho que nem se pode mais chamar de amor o que hoje se contextualiza como fruto dessas relações. Mais parece uma troca de favores, uma satisfação imediata dos prazeres corporais, o uso do outro como simples objeto pela busca própria do prazer... É triste constatar isso, mas, infelizmente, é o que vemos acontecer por aí. O amor deixa de ser uma construção diária, a longo prazo, compartilhada com afeto, carinho, ternura, cumplicidade, e interessa apenas o aqui e agora, a experiência do presente, tornando o amor efêmero e escorregadio...

Claro que não se pode generalizar, afinal, eu mesma já esbocei no começo deste texto a minha visão romântica do amor e com certeza devem existir tantas outras pessoas, em tantos outros cantos deste mundo, que ainda guardam essa visão singela no coração, e sonham em encontrar o príncipe encantado, escrever uma linda história e acreditam piamente que vão viver ao lado da pessoa amada até ficarem bem velhinhas, e verem crescer os filhos e netinhos, e assim será até que a morte os separe, porque o que Deus une o homem não pode separar!

Pensar assim é que me consola, me faz não desistir de acreditar que ainda se pode falar de amor e sonhar que um dia esse mundo ainda vai colocar suas ideias no seu devido lugar, recuperando os seus valores perdidos, recuperando o verdadeiro sentido do que é o amor.

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